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Série Saúde Animal Ep. 5 - Hipocalcemia

Falemos também de cuidados sanitários com as vacas leiteiras! Nosso especialista José Abdo fala de sintomas, riscos e prevenção contra a hipocalcemia, popularmente chamada de "febre do leite", um problema que pode afetar as matrizes logo depois da parição. Assista ao vídeo e aprenda mais lendo também o artigo técnico publicado na sequência.


Hipocalcemia em vacas leiteiras


A hipocalcemia, também conhecida como febre vitular, febre do leite ou paresia puerperal, ocorre geralmente em bovinos de alta produção de leite, de 48 horas antes até 72 horas depois do parto, sendo mais comum imediatamente depois do mesmo (RIET-CORREA, et al., 2007).

O motivo dessa falta de Cálcio é a mudança abrupta de exigência de cálcio durante o pós-parto e a demora na liberação de cálcio pelo organismo. Os mecanismos de absorção intestinal de Cálcio e reabsorção óssea, pelo paratormônio, demoram de 24 a 48 horas para funcionar de forma eficiente (ORTOLANI, 1995).

Segundo a Universidade de Cornell (USA), vacas hipocalcêmicas têm 3,1 vezes mais probabilidades de sofrer prolapso uterino; 5,4 vezes mais de mastite clínica; 7,2 vezes mais de distocia e 5,7 vezes mais chances de sofrer retenção de placenta, em comparação as vacas saudáveis (CURTIS, et al., 1983).

O animal acometido por hipocalcemia pode apresentar diferentes sinais clínicos, sendo que o conjunto de sinais apresentado é uma forma de se classificar o estágio da doença (EDDY, 1999):

Primeiro estágio: o animal encontra-se em estação com dificuldade em mover-se e alimentar-se, ocorrendo excitação, tetania, tremores de cabeça e dos membros. Pode ocorrer também ranger de dentes, protusão da língua e rigidez durante o decúbito (KRONFELD, 1980; EDDY, 1999; OGIVIE, 2000; RADOSTITIS et al. 2002). Segundo Radostitis et al. (2002), estes casos iniciais são considerados leves e respondem muito bem à administração de Cálcio, o problema é que apenas 10% das vacas são diagnosticadas nessa fase, progredindo para o segundo estágio num período de uma hora (OGILVIE, 2000).

Segundo estágio: o animal tende a tomar posição de decúbito esternal com incapacidade de se levantar (Blood et al, 1989). A vaca apresenta redução da tetania, sonolência, apatia, podendo apresentar cabeça dobrada para o lado ou pescoço esticado com a cabeça no chão, protusão da língua, parada ruminal e até constipação. A estase intestinal, comum dessa fase, influenciará negativamente na absorção intestinal levando o animal ao próximo estágio da doença (EDDY, 1999). A duração do segundo estágio pode variar de 1 a 12 horas (OGILVIE, 2000).

Terceiro estágio: o animal apresenta acentuada flacidez da musculatura sendo incapaz de assumir a posição de decúbito esternal, favorecendo o aparecimento de timpanismo. Ocorre também hipotermia, bradicardia com pulso praticamente impalpável (KRONFELD, 1980). Segundo Eddy (1999), a vaca nesta fase está em um estado de coma e, se não receber tratamento imediato, morrerá em poucas horas devido a parada cardiopulmonar (KRONFELD, 1980).



Os animais com hipocalcemia devem ser tratados imediatamente com Gluconato de Cálcio pela via endovenosa, na dose de 1g para cada 45Kg de peso vivo. É importante que a administração do Cálcio seja feita de forma lenta (10-20 min.), devido ao seu caráter cardiotóxico (RIET-CORREA, et al., 2007). A fonte mais indicada de Gluconato de Cálcio é o TurboCálcio, produto completo para o tratamento e prevenção da hipocalcemia e outras doenças características do pós-parto, como cetose e toxemia puerperal. TurboCálcio é um produto completo, pois atua como repositor de minerais, suplemento energético, além de ser protetor hepático.